«Anjos e Salmos« Como fazer meditação
Shambhala Brasil – Medita??o
Como fazer medita??o de aten??o plena por Sakyong Mipham Rinpoche
Sakyong Mipham Rinpoche Foto: Diana Church A aten??o plena ? essencial para a pr?tica espiritual porque, n?o importa qual tradi??o espiritual sigamos, nossa mente deve ser capaz de permanecer no momento presente, se pretendemos aprofundar nossa compreens?o e experi?ncia.
Na medita??o de aten??o plena, ou shamatha, tentamos alcan?ar a estabilidade e a calma de nossa mente.
O que come?amos a descobrir ? que essa calma, ou harmonia, ? um aspecto natural da mente. Atrav?s da pr?tica da aten??o plena simplesmente a desenvolvemos e fortalecemos, e, como decorr?ncia, somos capazes de permanecer em nossa mente, com tranq?ilidade, sem luta. Nossa mente sente-se contente, naturalmente.
Um ponto importante ? que, quando estamos no estado de aten??o plena, h? uma intelig?ncia sossegada. N?o ? como se tiv?ssemos “apagado”. ?s vezes, as pessoas pensam que algu?m que est? em medita??o profunda n?o sabe o que est? se passando, que isso seria como estar adormecido. De fato, h? estados meditativos em que negamos as percep??es sensoriais, mas isso n?o ? o que se pretende realizar com a pr?tica de shamatha.
Criar um ambiente favor?vel
Algumas condi??es s?o ?teis para a pr?tica da aten??o plena. Quando criamos um ambiente apropriado, ? mais f?cil praticar.
Por pequeno que seja o espa?o de que algu?m disponha para meditar, em sua casa, ? bom que ele tenha um sentido de eleva??o e sacralidade. Tamb?m se deveria meditar em um local que n?o fosse muito ruidoso ou perturbador, e a pessoa n?o deveria se encontrar em uma situa??o tal que sua mente possa ser facilmente incitada ? raiva, ao ci?me ou a outras emo??es. Se ela estiver perturbada ou irritada, a pr?tica ser? afetada.
Iniciando a pr?tica
Encorajo as pessoas a meditarem freq?entemente, mas por curtos per?odos de tempo – 10, 15 ou 20 minutos. Quando se for?a muito, a pr?tica pode adquirir muita “personalidade”, e o treinamento da mente deveria ser muito, muito simples. Assim, pode-se meditar 10 minutos pela manh? e 10 minutos ? tarde, e durante esses per?odos realmente trabalhar com a mente. Depois, simplesmente pare, levante-se e v? embora.
Muitas vezes nos deixamos cair sobre a almofada para meditar e permitimos que a mente nos leve para qualquer lugar. Devemos criar um senso de disciplina. Quando sentamos para meditar, podemos recordar-nos: “Estou aqui para trabalhar com minha mente. Estou aqui para treinar minha mente”. ? correto dizer isso a si pr?prio, literalmente, quando se senta para meditar.. Precisamos desse tipo de inspira??o quando come?amos a praticar.
Postura
A abordagem budista ? que a mente e o corpo est?o ligados. A energia flui melhor quando o corpo est? ereto, pois, quando ele est? curvado, o fluxo ? modificado e isso afeta diretamente nosso processo de pensar.. Assim, h? uma yoga que lida com isso. N?o estamos sentados eretos porque estamos tentando ser bons alunos na escola; nossa postura realmente afeta nossa mente.
Pessoas que necessitam de uma cadeira para meditar devem sentar-se eretas, com os p?s tocando o ch?o. As que usam uma almofada de medita??o, como um zafu ou um gomden, devem encontrar uma posi??o confort?vel, com as pernas cruzadas e as m?os pousadas sobre as coxas, com as palmas para baixo. Os quadris n?o est?o nem muito inclinados para a frente, o que cria tens?o, nem inclinados para tr?s, de forma que a pessoa comece a se encurvar. Deve-se ter uma sensa??o de estabilidade e for?a.
Quando nos sentamos, a primeira coisa que precisamos fazer ? verdadeiramente ocupar nosso corpo – verdadeiramente, ter um senso de nosso corpo.. ? freq?ente que nos estaquemos, im?veis, e fa?amos de conta que estamos praticando. Mas n?o podemos nem sentir nosso corpo, n?o podemos nem sentir onde ele se encontra. Em vez disso, ? necess?rio que estejamos bem aqui. Assim, quando se inicia uma sess?o de medita??o, pode-se dedicar algum tempo no come?o da pr?tica a arrumar a postura. Pode-se imaginar que a espinha est? sendo puxada para cima, do topo da cabe?a, de forma que a postura seja alongada para, ent?o, se acomodar.
O princ?pio b?sico ? manter uma postura elevada, ereta. A pessoa est? numa situa??o s?lida: os ombros est?o nivelados, os quadris est?o nivelados, a espinha est? bem empilhada. Ela pode ver-se a empilhar os ossos na ordem certa e a deixar que os m?sculos pendam dessa estrutura. Usamos essa postura para permanecer relaxados e despertos. A pr?tica que estamos fazendo ? muito precisa: deve-se estar muito desperto, embora calmo. Quando notamos que estamos ficando entorpecidos, ou caindo no sono, devemos verificar a postura.
O olhar
Para uma pr?tica de aten??o plena estrita, o olhar deve estar voltado ligeiramente para baixo, enfocando algo a uma pequena dist?ncia ? frente do nariz. Os olhos est?o abertos mas n?o arregalados; o olhar deve ser suave. Estamos tentando reduzir o est?mulo sensorial tanto quanto poss?vel. Pergunta-se: “N?o dever?amos ter uma sensa??o do ambiente?”. Mas, nesta pr?tica, esta n?o ? uma preocupa??o nossa. Estamos apenas tentando trabalhar com a mente e, quanto mais elevarmos o olhar, mais distra?dos ficaremos. ? como se tiv?ssemos uma l?mpada acima da cabe?a a iluminar o ambiente e, subitamente, n?s a enfoc?ssemos diretamente ? nossa frente. Estamos intencionalmente ignorando o que se passa ao nosso redor. Estamos confinando o cavalo da mente em um curral menor.
A respira??o
Quando praticamos shamatha, familiarizamo-nos cada vez mais com nossa mente e, em particular, aprendemos a reconhecer os seus movimentos, que experimentamos como pensamentos. Fazemos isso utilizando-nos de um objeto de medita??o que nos fornece um contraste ou contraponto ao que se est? passando na mente. Logo que nos distra?mos e come?amos a pensar em algo, o objeto da medita??o nos traz de volta. Poder?amos colocar uma pedra ? nossa frente e us?-la para enfocar a mente, mas usar a respira??o como o objeto da medita??o ? particularmente ?til porque isso nos relaxa.
Quando come?amos a pr?tica, tomamos conhecimento de nosso corpo, temos um sentido de onde ele est? e, ent?o, come?amos a notar nossa respira??o. A sensa??o completa de respirar ? muito importante. A respira??o n?o deve ser for?ada, obviamente; respira-se naturalmente. A respira??o entra e sai, entra e sai. Relaxamos a cada respira??o.
Os pensamentos
N?o importa que tipo de pensamento venha a surgir, a pessoa deve dizer a si mesma: “Este pode ser um assunto verdadeiramente importante em minha vida, mas agora n?o ? o momento de pensar nisso. Agora, estou praticando medita??o”. Nisso se resume qu?o honestos somos, qu?o verdadeiros podemos ser com n?s mesmos, durante cada sess?o.
Todos se perdem em pensamentos, algumas vezes. Poder?amos pensar: “N?o acredito que tenha ficado t?o absorto em algo assim”, mas devemos tentar n?o fazer disso um assunto demasiadamente pessoal. Apenas tentemos ser t?o imparciais quanto poss?vel. A mente, ?s vezes, ficar? turbulenta e teremos de aceitar isso. N?o podemos nos pressionar. Se estivermos tentando nos ver completamente livres de conceitos, sem nenhum discurso, ? melhor desistirmos, isso simplesmente n?o vai acontecer.
Assim, simplesmente utilizando o processo de etiquetar, percebemos nosso discurso. Notamos que nos perdemos em pensamentos, etiquetamos isso como “pensando” – delicadamente e sem julgamentos – e retornamos ? respira??o. Quando temos um pensamento – n?o importa qu?o selvagem ou bizarro ele possa ser -, simplesmente deixamos que ele passe e voltamos ? respira??o, voltamos ? situa??o do aqui, agora.
Cada sess?o de medita??o ? uma viagem de descoberta para compreender a verdade b?sica de quem somos n?s. No come?o, a li??o mais importante da medita??o ? perceber a velocidade da mente. No entanto, a tradi??o de medita??o diz que a mente n?o precisa ser desse jeito: ela apenas n?o foi trabalhada.
Estamos falando de um assunto muito pr?tico. A pr?tica da aten??o plena ? simples e completamente fact?vel. E, por estarmos trabalhando com a mente que experimenta a vida diretamente, ao sentarmo-nos, simplesmente, sem nada fazer, j? estaremos dando um passo enorme.
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